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Pergunta. Quais gastos pesam mais no orçamento de quem consome menos, e quais se concentram no topo? A resposta interessa a qualquer política que mexa em preços: tarifa de ônibus, gás de cozinha, energia, impostos sobre consumo.

Método. pof_concentracao(). As pessoas são ordenadas pelo consumo per capita e mede-se como o gasto com cada item se distribui ao longo dessa fila. O índice K compara a concentração do item com a do consumo total: negativo, o item pesa mais no orçamento de quem consome menos (gasto regressivo); positivo, pesa mais para quem consome mais (progressivo). Brasil, despesa de consumo completa, 2017-2018.

Resultados

Os gastos mais regressivos são os serviços básicos da casa. Gás doméstico tem K = -0,38: os 40% com menor consumo fazem 32,7% de todo o gasto com gás do país. Seguem água e esgoto (K = -0,24), energia elétrica (-0,21), transporte coletivo (-0,20) e fumo (-0,20).

No outro extremo estão plano de saúde (K = 0,26, com 78,1% do gasto feito pelos 20% com maior consumo), aquisição de veículos (0,25), viagens (0,24) e educação privada. Remédios são regressivos (K = -0,10), ao contrário do restante da saúde: a assistência à saúde como um todo tem K = 0,05.

Gráfico: Índice de progressividade dos gastos, Brasil, 2017-2018

Concentração dos gastos, Brasil, 2017-2018. Base 40%: parcela do gasto feita pelos 40% com menor consumo per capita.
Gasto Tipo C K Classificacao Base 40% (%) Topo 20% (%)
Gás doméstico Item 0,110 -0,376 Regressivo 32,7 25,5
Água e esgoto Item 0,244 -0,243 Regressivo 22,9 32,0
Energia elétrica Item 0,272 -0,215 Regressivo 22,3 35,3
Fumo Item 0,286 -0,201 Regressivo 19,9 34,9
Transporte coletivo Item 0,288 -0,199 Regressivo 19,9 33,2
Higiene e cuidados pessoais Grupo 0,293 -0,194 Regressivo 20,7 36,5
Eletrodomésticos Item 0,372 -0,115 Regressivo 17,3 43,5
Remédios Item 0,383 -0,104 Regressivo 16,1 43,4
Cabeleireiro Item 0,385 -0,102 Regressivo 16,9 44,3
Alimentação Grupo 0,402 -0,085 Regressivo 15,3 45,4
Vestuário Grupo 0,414 -0,073 Regressivo 15,4 46,8
Aluguel Item 0,424 -0,063 Regressivo 15,7 48,6
Serviços pessoais Grupo 0,433 -0,054 Regressivo 14,3 48,4
Telefone celular (serviço) Item 0,436 -0,050 Regressivo 13,3 47,9
Jogos e apostas Item 0,437 -0,050 Regressivo 12,9 45,7
Habitação Grupo 0,441 -0,046 Regressivo 15,1 50,4
Roupa de mulher Item 0,456 -0,031 Regressivo 13,4 50,5
Recreação e cultura Grupo 0,501 0,014 Progressivo 11,1 53,9
Refeição Item 0,523 0,036 Progressivo 10,0 56,3
Gasolina Item 0,527 0,040 Progressivo 8,7 55,8
Assistência à saúde Grupo 0,540 0,053 Progressivo 10,0 58,3
Consulta médica Item 0,559 0,072 Progressivo 8,5 59,6
Educação Grupo 0,600 0,113 Progressivo 7,8 64,5
Telefone fixo Item 0,603 0,116 Progressivo 6,2 63,4
Transporte Grupo 0,625 0,139 Progressivo 6,5 66,4
Dentista Item 0,630 0,143 Progressivo 6,2 66,7
Diversões e esportes Item 0,662 0,176 Progressivo 5,5 69,8
Despesas diversas Grupo 0,666 0,180 Progressivo 5,3 70,5
Curso superior Item 0,666 0,180 Progressivo 2,8 68,8
Cursos regulares Item 0,671 0,185 Progressivo 5,3 70,9
Viagens Item 0,726 0,239 Progressivo 4,4 77,2
Aquisição de veículos Item 0,736 0,249 Progressivo 3,0 77,7
Plano de saúde Item 0,747 0,260 Progressivo 2,2 78,1

Ao longo do tempo

Nas regiões metropolitanas, com consumo sem aluguel, a posição dos itens é estável entre as edições: os mesmos gastos são regressivos em 1987 e em 2017.

Gráfico: Índice de progressividade, RMs (consumo sem aluguel)

Reproduzir

dados <- pof_carregar(c(2017), dir)
pof_concentracao(dados, c("f17103", "f17102", "f20101", "f22301"), recorte = "brasil", sem_aluguel = FALSE)
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